terça-feira, 24 de março de 2015

Um dos dilemas da manipulação psicológica



Pode durar meses ou anos, mas numa fração de segundos podemos compreender que não há mais infinito. No post “o nosso fado é outro”, conita riot mostra como o vídeo/canção “cansada”, promovido pela SIC e pela APAV, reitera, sem questionar, as dinâmicas viciosas que existem entre opressor e vitima. A letra e a sua representação versam tanto sobre a violência como a resignação da mulher, quando aquilo de que a vitima precisa é de energia, soluções e lucidez diante da manipulação psicológica de que é alvo. Porque a violência, muito antes de ser física, é psicológica. E essa é difícil de ser cantada. 

Um dos dilemas da manipulação psicológica é que não a vemos chegar. Ela é exímia e vem devagar, tão devagarinho que debilita pouco a pouco com a doçura da poesia na qual se apoia. O tempo é a variável chave de dominação, porque a felicidade está ali já ao virar da esquina. Mas ela não está dependente do ritmo da tua passada, mas daquele que possui o cronómetro. A caminhada pode durar meses ou anos, mas como a felicidade está ali tão pertinho de nós, podemos esperar, tolerar, aguentar qualquer coisinha. E é nesse compasso de espera, em que aguentas, pois claro que aguentas, que as piores manipulações ocorrem. Tu dizes que os factos são verdes e dizem-te que isso são vulgaridades vermelhas. Tu dizes que os factos são vulgaridades e dizem-te que isso não é real. Tu enches o peito para dizer que o que se está a viver é um facto e dizem-te que tu não compreendes o que se está a viver. 

Questionas assim a tua inteligência e sensibilidade ao amor que nos surpreendeu um dia e que afinal é assim tão raro. Bonitas palavras enchem essa espera, embora cruéis no seu pragmatismo, elas são românticas porque a felicidade está ali mesmo ao virar da esquina. Toda a gente sabe à nossa volta que esse compasso de espera não tem fim e que essa felicidade te é vendida a baixo preço, porque já expirou. Mas ainda assim, esperamos, esperamos, esperamos até que o inferno comece a dobrar-nos e nos ponha de joelhos, a implorar a felicidade que estava ali aos nossos pés. Mas numa fração de segundos compreendeste ou podes compreender que a espera não é obrigatória e que a felicidade pode estar ao virar da esquina, sem que ela tenha de ser cronometrada por alguém a não ser por ti mesma. 


Ver letra da canção aqui.     

domingo, 22 de março de 2015

As 72 virgens no paraíso terão caído de uma barca assim?

Um escritor dos nossos dia, estudioso da cultura do centro da Europa, fazedor da cultura do centro da Europa.

"Com uma insistência amável, Newesklowsky detém-se repetidamente, no seu livro, no "Moidle-Schiff", sobre a alegre barca de 150 raparigas suabas e bávaras que o duque Karl Alexander de Wurttemberg enviara em 1719, depois da paz de Passarowitz, para os oficiais subalternos que ficaram como colonos alemães em Banato, a fim de que estes pudessem tomar mulher e enraizar desse modo uma presença suaba em Banato, que deveria tornar-se um dos capítulos centrais da história da civilização da Europa sul-oriental. Esta barca com 150 raparigas, cujas numerosas virtudes desembarcadas foram tema de tantos Lieder, seria uma embarcação ideal para se fazer esta viagem, sem sobra de pressa  ou até desejando não chegar nunca".

Cláudio Magris, Danúbio, Biblioteca Sábado, 2009, p.58

segunda-feira, 16 de março de 2015

The strength of Critique: Trajectories of Marxism–Feminism

More than 40 years ago, feminists among Marxists in many countries spoke out. They criticized the concept of labour that was then commonly used in Marxism, they criticized value theory, views on domestic labour and the family, the way of dealing and interacting with each other and with the nature around us, on the economy and wars, visions of the future and the urge for liberation.
  1. They triggered passionate debates – their criticism wasn’t totally ignored. But the work they have carried out on an international scale is far from complete. For some decades feminist Marxist debates subsided because neoliberalism, stumbling from one crisis to another, had brought other issues into focus.
  2. In March 2015, we intend to pick up the threads. Many of those voices – and many who have since joined – will come together at a congress in order to investigate what has been left undone. We will discuss successes and defeats as well as new projects with the intention of finding out together what has been gained so far, what we need to continue working on, what new issues are on the agenda, and how we can bundle our energies to achieve worldwide resonance to our demand to intervene. 

Rosa Luxemburg Stiftung

Franz-Mehring-Platz 1
10243 Berlin

sexta-feira, 13 de março de 2015

Espaços Públicos alternativos



«(...) [H]istory records that members of subordinated social groups - women, workers, peoples of color, and gays and lesbians - have repeatedly found it advantageous to constitute alternative publics. I propose to call these subaltern counterpublics in order to signal that they are parallel discursive arenas where members of subordinated social groups invent and circulate counterdiscourses, which in turn permit them to formulate oppositional interpretations of their identities, interests, and needs. (...) Let me not be misunderstood. I do not mean to suggest that subaltern counterpublics are always necessarily virtuous; some of them, alas, are explicitly anti-democratic and anti-egalitarian; and even those with democratic and egalitarian intentions are not always above practicing their own modes of informal exclusion and marginalization. Still, insofar as these counterpublics emerge in response to exclusions within dominant publics, they help expand discursive space. (...) The point is that, in stratified societies, subaltern counterpublics have a dual character. On the one hand, they function as spaces of withdrawal and regroupment; on the other hand, they also function as bases and training grounds for agitational activities directed toward wider publics. It is precisely in the dialectic between these two functions that their emancipatory potential resides. This dialectic enables subaltern counterpublics partially to offset, although not wholly to eradicate, the unjust participatory privileges enjoyed by members of dominant social groups in stratified societies.»

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sylvia Plath e Ingmar Bergman em vídeo



Mirror

"I am silver and exact. I have no preconceptions. /What ever you see I swallow immediately / Just as it is, unmisted by love or dislike. / I am not cruel, only truthful / The eye of a little god, four-cornered. / Most of the time I meditate on the opposite wall. / It is pink, with speckles. I have looked at it so long / I think it is a part of my heart. But it flickers. / Faces and darkness separate us over and over. / Now I am a lake. A woman bends over me, / Searching my reaches for what she really is. / Then she turns to those liars, the candles or the moon. / I see her back, and reflect it faithfully. / She rewards me with tears and an agitation of hands. / I am important to her. She comes and goes. / Each morning it is her face that replaces the darkness. / In me she has drowned a young girl, and in me an old woman / Rises toward her day after day, like a terrible fish."           Sylvia Plath"La vieillesse est comparable à l'ascension d'une montagne.Plus vous montez, plus vous êtes fatigué et hors d'haleine,mais combien votre vision s'est élargie !"Ingmar Bergman

Ver o vídeo.


quarta-feira, 11 de março de 2015

ainda sobre a ação "Ninguém Nasce Cão"



(As linhas que se seguem foram escritas por várias pessoas em jeito de resposta às perguntas de Ricardo Sobral para uma reportagem publicada na Gazeta, do CENJOR.)


A acção na barbearia Figaro's teve amplo destaque mediático e foi alvo de várias reacções, quer nos comentários às notícias, quer de alguns cronistas. Esperavam um destaque desta dimensão e estas reacções que se têm manifestado? Que leitura(s) fazem do resultado?



Não esperávamos. Um dos objetivos foi amplamente superado: lançar a discussão sobre uma imagem que, num contexto de “defesa” no âmbito do marketing ou “piada”, nos remete para uma imagética de exclusões várias. Não é admissível - aliás é ilegítimo - o gesto de fazer marketing ou piada com a exclusão, neste caso de mulheres. Tal imaginário não é desligado da realidade para o qual aponta nem de questões éticas. Não é apenas um “conceito”, como foi defendido pelos adeptos deste “apontamento” segregacionista nem se circunscreve à “representação”. Estes conceitos e representações nunca são só aspectos de imagem, são realidades concretas: a exclusão de mulheres não é uma imagem ou uma palavra, ela existe, é real. Assim, estas pessoas da barbearia, por exemplo, não excluem só pelo verbo ou pela iconografia com patine em jeito de decoração, expulsam realmente. Desta forma, não estamos no âmbito das representações como estética mas sim do que isto significa, aliás, bastou pouco para passarem da sua “representação” de gentlemen - homens à “moda antiga” - para grunhos com paus na mão. Não há estética sem ética.



Claro que, entre nós, existiam alguns objectivos distintos. É natural. Para quem queria um resultado concreto e imediato naquela espelunca, o enxovalho continua e o acto, enquanto acto cívico, não produziu o efeito da placa deixar de estar lá… De qualquer forma, parece-nos que desestabilizámos a “normalidade” de ter uma semelhante placa.


Da nossa parte, apesar do pêlo na venta, não queremos fazer a barba naquele local, aliás, nenhuma de nós tem vontade de usufruir dos serviços do estabelecimento. Quisemos demonstrar que este discurso é inadmissível. É a diferença entre acessibilidade a um espaço e usufruto de um serviço, que pode ser mais ou menos dirigido. É por isso que não fomos lá cortar o cabelo ou exigir um corte de barba mas sim exprimir uma posição, carregando numa imagem que demonstra, pelo exagero, o que realmente significará o “conceito” do estabelecimento de que os cães podem entrar e as mulheres não. Tal como não se nasce mulher, torna-se, também ninguém nasce cão. Essa condição pode ou não permitir-se, e transformar-se.

“As mulheres não se podem comportar assim”, ouve-se. Ora, pois podem e devem.

(Por exemplo, partimos nozes com as mãos enquanto respondemos a entrevistas.)

Para além deste elemento - o discurso para o qual esta imagética remete -, a discussão gerada em redor deste assunto veio demonstrar a fragilidade de uma certa ideia de masculinidade, de exclusividade ao masculino que se sente confortável numa simbologia e prática de regressão nas conquistas históricas de direitos das mulheres, de homossexuais, de transgénero, de queer e grupos minoritários, em prole do seu prazer sectário...
O volume de comentários misóginos, insultuosos, machistas e violentos demonstram a evidência da necessidade da ação. Não hierarquizamos lutas, o exemplo da acção na Figaro´s barbershop reflecte o quão os vários ângulos de discriminações são indissociáveis. Para aqueles que nos acusam de fazer um alarido em torno de um fait divers insignificante, numa paisagem desolada pela crise e onde a violência doméstica e as diferenças salariais deveriam prioritariamente ser alvo de protesto, respondemos que, por um lado, ao focalizarmos a nossa ação na barbearia estamos também a tocar nesses pontos, como o debate despoletado evidencia e, por outro lado, que o moralismo militante nos afecta pouco (waf-waf!).


Outra ideia largamente propagada, é o facto de ser um espaço privado que pode ter o tal “conceito” diferente e que, por isso, a haver descontentamento, o barulho deveria ser feito cá fora, ou no ato extremamente arriscado de distribuir panfletos. Para nós, e para muito boa gente, as liberdades conquistadas não acabam entre quatro paredes nem podem subalternizar-se à lei da propriedade privada. Para além de que uma loja não é um espaço privado. Ponto. E para além de que um discurso destes - “homem entra, cão entra, mulher não” - é um discurso completamente político. É, nesse sentido, público. A política faz-se na ação e na linguagem, não na obediência. Comportar-mo-nos “mal” é, em muitos casos, agir politicamente “bem".

O que esteve na origem do blogue Interpolação e quais os motivos que vos levaram a optar pelo anonimato?


O cu não tem a ver com as calças. Esta ação reequilibrou-nos a flora vaginal (com excepção de uma de nós, mas que já está em tratamento, e de outros três, simplesmente porque não têm flora vaginal) e alinhou-nos os chacras num só ato. Ou seja, a ação “Ninguém não nasce cão” foi efectuada por um colectivo contingente, um grupo de pessoas para uma ação específica.
Quanto ao blogue Interpolação, este surgiu da ideia de discutirmos o machismo do quotidiano, a partir da sabedoria que nos aufere a fruição de uma vagina ou então uma consciência de género bastante polida. Estamos por isso longe de desejar cumprir uma agenda política. Interessa-nos uma coisa mais regular, normativa e “normal” do que a efeméride do Dia Internacional da Mulher que marca a celebração dos direitos da Mulher de uma forma institucional e cerimonial. Preferimos ainda assim chafurdar na merda do que na imanência.
Em relação ao anonimato, não é politicamente interessante personalizar as palavras e as ações. É uma luta e corpo colectivo, ainda que pensemos todas por sua cabeça. Sendo isto um mundo cão, decidimos usar máscaras e, como a reação dos de barbeiros bem demonstrou, não são alheias as questões de segurança. É preciso garantir a segurança de quem intervém, antes e depois. Por exemplo, no trabalho de cada uma e perante as ameaças de represália.
É importante não haver um processo de individualização ou de protagonismos. Por trás daquela máscara podia estar uma mulher, um homem, uma pessoa qualquer. Ter um rosto é ficar refém de como te referencias. O anonimato tem a potência de ser o todo. Não reivindicamos ser o todo (nem o todo, nem 99%). Mas, no anonimato, somo-lo em potência (ou “somos ninguém”, o que, para o caso, resulta no mesmo) e, neste caso concreto, era isso que fazia sentido. Noutras ações, admitimos que fizesse menos.

Que outras acções fizeram até hoje, além da da barbearia, que tenham ido além do âmbito do blogue e do online?


Algumas de nós participaram numa ação anterior a que chamámos “Não trabalho para o teu prazer”, um manifesto desagrado por uma iniciativa promovida pela DRESS FOR SUCCESS que tinha como lema as mulheres são vestidas para vencer, calçam o salto alto e preparam-se para conquistar o mercado de trabalho”.
Pensamos que esta é uma boa resposta a quem bombardeou comentários nas redes com exemplos do ginásio Vivafit e semelhantes. A nossa anterior ação foi contra uma organização de mulheres que duplica a ideia de que existem espaços de mulheres para exercícios de “adequação” a uma lógica de que a mulher se pode resumir a um adereço de prazer em contexto de trabalho. Ser magra, maquilhada, bem vestida. Nessa altura, reivindicamos que esta ideia de mulher, de trabalho e de sucesso devia ir toda para o caralho. Ou seja, as missões de emancipação da mulher de fachada libertadora e moralizadora, que escondem sobretudo a ideia de uma feminidade essencialista, podem fazer igualmente parte do nosso combatente.


Que descrição fazem da situação actual do feminismo em Portugal?


Partimos da ideia de que não existe apenas um feminismo, mas vários, que pode ir desde a resistência individual quotidiana à resistência organizada e colectiva contra a dominação masculina. Neste sentido não nos cabe a nós fazer uma análise do feminismo em Portugal, deixaremos esse trabalho para os cientistas sociais interessados na questão.  Portanto, mais do que descrever a situação atual do feminismo em Portugal, preferimos falar do sexismo e da violência de gênero de que as mulheres continuam sendo as principais vítimas, como dá testemunho este curioso e-mail que recebemos.


Depois de ver o vosso vídeo na barbearia de lisboa, aqui fica a minha opinião!
Nunca na vida vi um grupo de gente tão merdosa e badalhocas como vocês!
Gentinha de merda sem nada para fazer!
O que é que vocês querem da barbearia?? Crescer a barba ou rapar os pelos do cú?
Só tenho pena que não tenha estado presente nesse momento, pois dava-vos tantos murros e pontapés nesses focinhos de gente porca e sem valores, que em menos de 5 minutos voltavam imediatamente ao vosso estuto oficial, ou seja, repositórios de ESPORRA!
No entanto falta-vos a coragem naturalmente de invadirem as mesquitas islâmicas em Portugal, onde as mulheres têm menos direitos que um cão!
Mas é claro, porque aí, voces sabem bem que o civismo não tem lugar, e aí para além de murros nos cornos ainda eram enrrabadas em grupo, para sentirem que o HOMEM é que manda!
VIVA O HOMEM! Sim, ELE que vos fode essas conas todas!
Fica aqui um vídeo demonstrativo de que o homem manda, e a mulher engole!
Beijos suas porcas
Mário Soares - Pai do DEboche e da esquerda podre!”


segunda-feira, 9 de março de 2015

O nosso fado é outro

Um punhado de autores da filosofia e da teoria políticas ensinou-nos dessa diferença e distância fundamentais entre a atitude de constatação do que existe e a de conseguir imaginar o que pode existir. Do lamento e crítica para o ensaio de possibilidades que nos permitam terminar com o que move esse lamento. Do desespero para uma estratégia. Um pouco por todo o mundo onde vigora um discurso que se pretende hegemónico sobre o actual estado de coisas (vivemos-no-melhor-dos-mundos-possíveis ou o neo-liberalismo é um fenómeno natural do progresso humano) há um trabalho gigante e permanente do sistema em dissimular que oprime e em dissimular que fabrica estes mesmos discursos. Eles invadem as esferas mais inesperadas e operam a níveis que não conseguimos nem conseguiremos, sempre, entrever. 


"Porque batem os homens nas mulheres" é o título de uma reportagem da sic (5 março 2014). A pergunta nunca é merecedora de tentativas de resposta. Não há neste trabalho jornalístico mais do que o enumerar de situações de violência. Confirmam-se com as vítimas as suas agressões, ouvi-mo-las repetir os crimes de que foram alvo. O trabalho jornalístico não está muito longe das cronicas do crime da Fátima Lopes ou do Correio da Manhã na sua grande maioria. Ou seja, alimentam um nicho de mercado, o share televisivo com o macabro, com o que choca, com o que vende. As facadas que deu, o sangue que jorrou. As mortas e os seus familiares voltam a ser vítimas e numa dimensão nova porque os novos algozes empurram-nos para um espaço de espectacularidade onde o estrelato de ambos (vítima e agressor) é imediato ("they call me the wild rose"). Para além de nos empurrar, por ausência de outros discursos, para esse tal de mundo onde não há alternativas e de onde não é possível sair. 


A  mesma Sic promoveu com a APAV, por ocasião dos seus 25 anos, um vídeo muito infeliz sobre a violência contra as mulheres. Que em nada diz sobre o excelente e difícil trabalho desta associação ao longo deste anos e em nada acrescenta ao trabalho de excelentes músicos e intérpretes. Um vídeo que confirma sem questionar as lógicas viciosas entre agressor e vítima, um vídeo que internaliza a ideia da mulher como resignada e não operante na sua condição, um vídeo que nos confronta com a incapacidade, mais uma vez, de nada podermos fazer no nosso mundo para além de chorá-lo. A ideologia do conformismo a ser servida no Dia da Mulher, usando-se da opressão que cai em particular sobre ela, para nos ensinar a todos que o cansaço é legítimo mas é só dentro dos seus limites que podemos buscar consolo. 





domingo, 8 de março de 2015

Uma mulher que não tem uma entrada no Wikipédia (mea-culpa)


Shadia Abu Ghazaleh (1949-1968) nasce em Naplus, Palestina. Membro da Frente Popular de Libertação da Palestina, foi uma das primeiras mulheres a liderar uma unidade militar anti- ocupação. Tem 19 anos quando morre a preparar uma bomba para uma operação de resistência armada contra o colonialismo israelita.

Dia do "You make me feel like a natural woman"


«Como é que identificações atribuladas são aparências nas práticas culturais? Bem, considerem como a heterossexualidade se naturaliza através da instalação de certas ilusões de continuidade entre sexo, género e desejo. Quando Aretha Franklin canta "You make me feel like a natural woman" parece, à primeira vista, sugerir que algum do potencial natural do seu sexo biológico é realizado através da sua participação na posição cultural de "mulher" enquanto objecto de reconhecimento heterossexual. Alguma coisa no seu "sexo" é expressa pelo seu "género" que é, em consequência, totalmente conhecido e consagrado dentro do espaço heterossexual. Não há qualquer ruptura, qualquer descontinuidade entre "sexo", enquanto facto biológico, e essência, ou entre género e sexualidade. Apesar de Aretha parecer estar completamente satisfeita com ter a sua naturalidade confirmada, também parece total e paradoxalmente consciente de que essa confirmação não está garantida, que o efeito da naturalidade é apenas atingido naquele momento do reconhecimento heterossexual. Apesar de tudo, ela canta "You make me feel LIKE a natural woman", sugerindo que é uma espécie de substituição metafórica, um acto de fingimento, um tipo de participação sublime e momentânea numa ilusão ontológica produzida pela operação mundana de transvestismo heterossexual.»

sexta-feira, 6 de março de 2015

Caso para dizer que o género nos une e a classe nos separa


Françoise Hardy diz que as feministas são feias e têm mau humor. Estas declarações até passariam razoavelmente bem, porque bastante primárias, se a elas não fossem associadas estas outras bem mais sofisticadas:
Françoise Hardy paga 40 000 euros por ano de ISF, o que significa que a sua fortuna deve estar estimada bem alto. Penso que as pessoas da categoria de Hardy não se dão bem conta do drama que é viver do rendimento mínino social. Bem, de uma coisa sabemos, a consciência de classe "chez les bourgeois" é tudo menos enfraquecida nos tempos que correm. O melhor é mesmo ficar pelas melodias simples das suas canções de juventude:

quinta-feira, 5 de março de 2015

Comemorações do Dia Internacional da Mulher, um mês de cinema realizado por mulheres espanholas

Em comemoração do Dia Internacional da Mulher 2015, celebrado a 8 de Março, a Seção de Cultura da Embaixada de Espanha, o Instituto Cervantes e o festival Olhares do Mediterrâneo – Cinema no Feminino promovem Olhares de Espanha – Cinema no Feminino: quatro segundas-feiras dedicadas ao cinema realizado por mulheres espanholas, a começar dia 9 de Março. Serão quatro sessões de entrada livre, no Instituto Cervantes, em Lisboa, com início às 19h00.
O programa contempla trabalhos que são exemplo da versatilidade das cineastas espanholas, reunindo duas propostas de ficção e duas documentais.

15 AÑOS Y UN DÍA

  • 9 março às 19h00
  • De Gracia Querejeta
  • Ficção

LAS MAESTRAS DE LA REPÚBLICA

  • 19 março às 19h00
  • De Pilar Pérez Solano
  • Documentário

LOS NIÑOS SALVAJES (ELS NENS SALVATGES)

  • 23 de março às 19h00
  • De Patricia Ferreira
  • Ficção

LA PLAGA

  • 30 março às 19h00
  • De Neus Ballús
  • Documentário

Todos os filmes são legendados em português (do Brasil).